... e minhas costas doem, sabe? Quando o tempo esfria e eu não tenho ânimo pra levantar, começo a sentir essa dor chata e triste, quase como quando você foi embora naquele verão em 89, eu tinha vinte anos e reclamava de tudo e de todos, mesmo sendo você a única coisa perfeita no meu mundo eu reclamava que você não errava, que eu não errava, que nada era errado pra gente, e continuávamos sempre ouvindo aqueles rocks e querendo estar em London, London, ou então batíamos cabeça em todos os shows que íamos. E aí você foi embora, eu me senti caindo caindo caindo, como quem voava a 200 km/h em direção a um copo dágua, não sabia onde era o chão, exatamente...
... só queria te falar que tenho saudade, mas não sei se de você, daquele tempo, da gente ou simplesmente dos sentimentos e sensações que tínhamos. Não sei, nunca quis muito entender aquilo, ficou como uma eterna interrogação na minha cabeça que substituiu todas as outras, e toda a vida passou a fazer sentido menos aquilo, que dificilmente me ocupava, principalmente depois do meu terceiro casamento e do quinto filho...
... mas deixa pra lá, o melhor é você tratar dessa sua cabeça (vi pelo facebook que você anda com dores sempre) e não facilitar, a gente já não tem mais 20 anos, e tudo que é de ruim começa a aparecer, inclusive amigos mortos, e isso não é legal...
... te espero do outro lado,
Paul.
P.S.: Ah, e talvez meu velório seja marcado pra daqui uma semana, por isso estou enviando por sedex.
P.S. 2: Essa foi minha última carta, lembro que você gostava muito quando eu ditava umas cartas aleatórias e sem nexo pra você, quase um Rimbaud pobre, louco, e extremamente pretensioso...
P.S. 3: Comprei um semana passada pro meu filho.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Páginas de uma carta qualquer (2)
É quase como se fosse
Carta,
Dia Estranho,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....
terça-feira, 6 de maio de 2014
Exercício 4
(The Who - Behind Blue Eyes)
Proposto por Amanda Fernandes.
Olhos, lembranças, cansaço
Da sinestesia causada pelo som de sua guitarra solitária na noite, ele sentia todo o peso dos seus 19 anos.
Ou seja: era mais um adolescente leviano e com uma paixão desmedida por seu instrumento, pela música e pela vida.
Entretanto, os olhos dele...
Um castanho escuro, o outro quase cinza. Traziam em si um cansaço atemporal. Um cansaço pálido, insensível. Nem ele mesmo sabia disso, não tinha consciência.
Mas toda vez que se encarava no espelho, vinham certas lembranças que ele não sabia determinar se eram reais, sonhadas ou....
Como uma vez, certa garota disse (ou ele sonhou? ou...) : "Caralho, eu te amo. Mas não vou passar contigo mais do que essa noite."
Conseguiu compreender tudo, naquele momento fugaz, mas logo em seguida esqueceu o significado. Apenas apagou o cigarro e disse "sim. Também te amo. Aproveitemos, então. E até quando? Não, não responda. Foi retórica..."
E hoje, nos breves momentos em que se olha, se encara, fica com essa angústia.
Que, claro, não dura mais do que o momento em que se ocupa com sua vida.
Mas essas lembranças... seriam sonhos? ou seriam...
É quase como se fosse
Exercício,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....,
Urban
Três Minutos
1:35 a.m.
Meu sono dói, e meu estômago não vem
Dividido entre a insônia, preocupação e planos pro futuro
des-prezo meu corpo, espanco minha mente
assim como quem chuta uma lata de cerveja vazia no meio de um carnaval
Lata vazia, essa é uma expressão digna de uso por mim
Sangrenta essência de pútridos sentimentos, fétidos, fétidos, FÉ-TI-DOS!
Tal qual copo em desalinho, derrubo, trinco e vinho
Talvez a vida valha o clichê da pena, da cena, do riso...
1:38 a.m.
É quase como se fosse
Dia Ruim,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....,
Música,
Pseudo-Poesia
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Tempo
Mas não sabemos o que!
Um tempo, que domina todas as coisas,
Mas não é dono de si próprio.
Sente-se perdido em sua própria fartura.
Com mais meios, mais saber, mais técnicas do que nunca, esse tempo
(o mais infeliz que já houve)
avança!
Para o nada..."
(Não consegui encontrar a fonte. Talvez seja do próprio Abujamra... mas uma coisa é certa: ele é sensacional declamando. Seja o texto que for, seja a poesia que for.)
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Equilibrium
Oscilando entre a sobriedade e a insanidade, a capacidade de sentir é nossa característica mais inerentemente humana. Melhor dizendo, na verdades capacidade de sentir e a consciência dos sentimentos é o que nos diferencia dos demais animais. Empatia, amor, paixão, raiva, interesse, luxúria... Comparo-os todos a temperos, tais como pimenta, sal, limão, cebola, tomate, alecrim, manjericão, em que alguns são fortes, outros você não gosta, mas que TODOS são essenciais para dar gosto a vida.
Perdi minhas receitas, hoje já não sinto o gosto. Superei meus sentimentos, talvez? E quanto a isso nem um vazio consigo sentir. Olho como quem vê um sapato usado jogado na rua: não me pertence, não me diz respeito, mas algo parece fora do lugar.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Cartas
Esses dias fiquei pensando em escrever algumas cartas.
Sabe? Aquela coisa de papel, caneta, envelope... talvez até uma ponta de perfume, a espera, a letra...
Talvez nesse tempo de instantaneidade, onde ninguém tem paciência pra ler mais do que duas linhas, para DIGITAR duas linhas....
Deve ser legal, preencher uma folha com notícias, tentar exprimir sentimentos à distância, fazer com que a pessoa compreenda e que tente se fazer compreendida....
Talvez fossem tempos onde se valorizasse mais, tanto a distância quanto a proximidade....
Talvez....
Sabe? Aquela coisa de papel, caneta, envelope... talvez até uma ponta de perfume, a espera, a letra...
Talvez nesse tempo de instantaneidade, onde ninguém tem paciência pra ler mais do que duas linhas, para DIGITAR duas linhas....
Deve ser legal, preencher uma folha com notícias, tentar exprimir sentimentos à distância, fazer com que a pessoa compreenda e que tente se fazer compreendida....
Talvez fossem tempos onde se valorizasse mais, tanto a distância quanto a proximidade....
Talvez....
É quase como se fosse
Apenas Mais Um Dia,
Pseudo-Poesia,
Stand-art
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Exercicio 3
Teto, sonhos, chuva
Lembro-me de estar ali, parado, encarando o nada e pensando se há algum limite para os sonhos... se existe algum teto, diante do qual não podemos mais subir ou contornar. E será que por esse teto ser tão alto, nos parece infinito ou mesmo que não existe? E lá fora, o que existirá? O que há além? Ou antes: o que há aqui? Talvez eu já esteja ouvindo as respostas: chuva.
É quase como se fosse
Apenas Mais Um Dia,
Exercício,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....,
Pseudo-Poesia
domingo, 29 de dezembro de 2013
Dos dias
De minha sangrenta essência humana tento tirar letras e frases e períodos e pontuações e tudo o que pode ser dito, buscando o indizível, escrevendo sem rumo, deixando que minha mente vague por onde quer que o texto me conduza. Há, acima de tudo, algo que move a todos aqueles que, como eu, escolhem a escrita como tentativa de se expressar, de se impressionar ou de simplesmente ~cubificar~ o mundo... ah, a noz da casca do universo...
É quase como se fosse
Dia Ruim,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Exercício 2
Pacífico, vida, velocidade.
Pensava no oceano que cortava, dentro de sua embarcação. O Pacífico, com todas suas cores e frieza, estendia-se como um titã adormecido, imperturbável. O suave som da chuva rala misturando-se ao ruído baixo e constante das ondas sendo cortadas refletiam a velocidade do seu coração: lento, calmo, sossegado. Deitado no convés, ignorando os pingos que caíam em seu rosto, encarava o céu de nuvens esparsas. "O mundo rasga-se ao meio", pensava, "enquanto não sabemos sequer se estaremos vivos pra ver o próximo amanhecer...".
Começou a tocar uma guitarra imaginária, repetindo as notas tão batidas e rebatidas e decoradas, em sua mente copiando uma valsa que desse um tom mais melódico e (porque não?) melancólico à vida....
"Só consegue ser feliz na vida que já conheceu a tristeza... mas eu devia anotar todos esses pensamentos..." refletia....
(Noite de Lua - Dilermando Reis)
Proposto por Ana Luísa (que, por sinal, possui também um ótimo blog: http://tollitur-quaestio.blogspot.com.br/ )
Pensava no oceano que cortava, dentro de sua embarcação. O Pacífico, com todas suas cores e frieza, estendia-se como um titã adormecido, imperturbável. O suave som da chuva rala misturando-se ao ruído baixo e constante das ondas sendo cortadas refletiam a velocidade do seu coração: lento, calmo, sossegado. Deitado no convés, ignorando os pingos que caíam em seu rosto, encarava o céu de nuvens esparsas. "O mundo rasga-se ao meio", pensava, "enquanto não sabemos sequer se estaremos vivos pra ver o próximo amanhecer...".
Começou a tocar uma guitarra imaginária, repetindo as notas tão batidas e rebatidas e decoradas, em sua mente copiando uma valsa que desse um tom mais melódico e (porque não?) melancólico à vida....
"Só consegue ser feliz na vida que já conheceu a tristeza... mas eu devia anotar todos esses pensamentos..." refletia....
(Noite de Lua - Dilermando Reis)
Proposto por Ana Luísa (que, por sinal, possui também um ótimo blog: http://tollitur-quaestio.blogspot.com.br/ )
É quase como se fosse
Dia Bom,
Exercício,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....,
Stand-art
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Exercício 1
moto, luz, grade.
A luz que se filtrava pelo telhado projetava-se em raios através da poeira, como num fim de tarde calorento qualquer... a mente atormentada trabalhava, trabalhava, trabalhava... sem objetivo claro, inquieta, incerta, como um moto contínuo, sem conseguir parar por si só. Sofria a angústia das grades do movimento eterno, do PENSAMENTO eterno! Mas que A-GO-NIA não poder parar de racionalizar, de raciocinar, de racionar...
(Série de posts seguindo a linha do 'Exercício Mental' que costumo fazer: pegar 3 palavras quaisquer, aleatórias (ou não) e tentar interconectá-las, seja numa história, numa crônica ou texto completamente sem sentido. Se tiverem sugestões de palavras, caixinha de comentários está disponível, e eu, disposto.)
A luz que se filtrava pelo telhado projetava-se em raios através da poeira, como num fim de tarde calorento qualquer... a mente atormentada trabalhava, trabalhava, trabalhava... sem objetivo claro, inquieta, incerta, como um moto contínuo, sem conseguir parar por si só. Sofria a angústia das grades do movimento eterno, do PENSAMENTO eterno! Mas que A-GO-NIA não poder parar de racionalizar, de raciocinar, de racionar...
(Série de posts seguindo a linha do 'Exercício Mental' que costumo fazer: pegar 3 palavras quaisquer, aleatórias (ou não) e tentar interconectá-las, seja numa história, numa crônica ou texto completamente sem sentido. Se tiverem sugestões de palavras, caixinha de comentários está disponível, e eu, disposto.)
É quase como se fosse
Apenas Mais Um Dia,
Exercício,
Mais um fluxo de pensamentos loucos e sem ordem....,
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