quinta-feira, 29 de março de 2012

Páginas de Uma Carta Qualquer (2)

(...) então fujamos, minha querida! Para onde o sol não nos toque, a lua não nos veja e o escuro não precise nos encobrir!
E lá, minha amada... lá, faremos com O Cortiço inteiro se envergonhe... Lady Chatterley ficará ofendida, chocaremos Emma Bovary! Tórridos dias, ardentes noites, perigos e muito, mas muito daquilo que podemos chamar de amor... Seus pais? Uns puritanos hipócritas, talvez mais desavergonhados que nós mesmos, não ligue para eles... Que me diz?

Ah, sim já está tudo acertado com o caseiro de lá, só vamos precisar levar alguma comida, pro início e (...)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Poetizando

(recomendo escutar a música antes da leitura... ou concomitantemente, o que vier a calhar)


(Musica: Magoado, por Dilermando Reis)
As vezes eu fico meio assim
Chorinho e poesia
Tristeza e alegria
Mas tudo samba e simpatia

Há horas que gosto de ti
Outras nem tanto
Outras, portanto
Apaixono-me tanto...

Entendo, no fim
Do que se trata a vida
É rotina, dia-a-dia
Entretanto, uma bela poesia

E fico aqui
Refletindo
Ressoando
Poetizando

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Frases curtas de uma noite ruim (1)

Outra madrugada insone. O brilho da tela me ofusca os olhos, tal qual meu pensamento ofusca meu cansaço, e assim permaneço, intranquilo e conectado.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011


Te encontro de novo como eu mesmo previ
Desfaço as promessas que escrevi
Gosto de me ver chorar e de mentir
Que essa é a última de muitas que estão por vir
Uh - depois de um momento a sós
Me pergunto quem está limpando os teus lençóis
Quem vai desatar o fio que por anos fomos nós?
Te escuto dizer tudo aquilo que me rasga
Diga que não vai voltar e me espere pro jantar
Uh - depois de um momento a sós
Me pergunto quem está limpando os teus lençóis
Quem vai desatar o fio que por anos fomos nós?
Promessas frias de verão
Você vai dizer que não
Adeus é tudo que eu preciso ouvir de você
Uh - depois de um momento a sós
Me pergunto quem está limpando os teus lençóis
Quem vai desatar o fio que por anos fomos nós?

sábado, 24 de dezembro de 2011

Noite 'Feliz'

Véspera de natal, acendo mais um cigarro enquanto termino essa cerveja. A anestesia que me deram quando criança já não tem mais efeito. Agora a insensibilidade vem devido aos repetitivos choques e inflamações, com a pútrida essência gerada em todos os lados, todos os cantos. A sujeira que corrompe a vida, a religião, o amor, o comércio, o sexo, o corpo, é sem fim e sem finalidade. Um arroto brota de meu estômago, lembrando-me da condição animalesca a que todos nós pertencemos, e que tentamos negar e sujeitar ao 'bom-senso'. Nessa hora, um traseunte passa: 'tem um cigarro aí?' Meu egoísmo impera, e digo: só não posso dar a carteira toda. Ele ri, me deseja um feliz natal, e que Jesus encha minha vida de alegria. Eu gargalho e digo: mais alegria que beber só, em um posto, fumando um cigarro e conversando com um desconhecido? Obrigado, Jesus. E ele não nota meu tom de ironia. Entro no carro, dobro a esquina a 70 por hora, acelero para 120, encontrando o próximo poste largo em um abraço natalino... É, não é doce viver na cidade grande... Não é doce morrer no natal.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Zeca Baleiro - Flor da Pele

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Teu olhar "flor na janela" me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do Juízo final...
(2x)

Barco sem porto, sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
Às vezes me preservo, noutras, suicido!

(tudo 2x)

Oh, sim!
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Eu não preciso
De muito dinheiro, graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!

Barco sem porto, sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
Às vezes me preservo, noutras, suicido!




domingo, 2 de outubro de 2011

Richard Dawkins

"Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos…
Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento, contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme maioria jamais nem saiu?"
http://bulevoador.haaan.com/2010/03/9266/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Jack Kerouac - On The Road (1)

(Série de posts com trechos do livro e, talvez, um ultimo post de comentário.)
"(...) Para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam com chavões, mas que queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como se constelações em cujo centro fervilhante - POP! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'Aaaaah!'. (...)"
"(...) Garotas e rapazes da América têm curtido momentos realmente tristes quando estão juntos; a artificialidade os força a se submeterem imediatamente ao sexo, sem os devidos diálogos preliminares. Não me refiro a galanteios - mas sim um profundo diálogo de almas, porque a vida é sagrada e cada momento é precioso.(...)"

sábado, 6 de agosto de 2011

Drive



Simplesmente não sou mais o mesmo, aquele que para iludir bastava um beijo, sumiu. Não acredito mais em divindades. Nem em contos de fadas. Revoltas não tenho mais, me conformo com uma paz calma, determinada e anti-poética. Não preciso mais de revolta. Não uso mais chantagens. Apenas me torno... espástico, é assim que se diz? Espástico, sim. Incontrolavelmente me debato, jogando pernas, braços, pensamentos e afetos a torto e a direito, recolhendo o que quiserem me dar, mas nunca mendigando. Deixando o que quiserem ficar, mas nunca sendo otário. Me iludo, sim. Mas somente em relação a mim mesmo. Não se sinta capaz de enganar quem não engana a si mesmo... Entre alguns papéis, canetas, bebidas e mentiras, mais uma vez me abandono aos braços de alguma companhia passageira, na esperança de algum dia deixar de passar para morar na vida de alguém. Trocar o carro pela casa. Enquanto isso, dirijo.