sábado, 6 de agosto de 2011

Drive



Simplesmente não sou mais o mesmo, aquele que para iludir bastava um beijo, sumiu. Não acredito mais em divindades. Nem em contos de fadas. Revoltas não tenho mais, me conformo com uma paz calma, determinada e anti-poética. Não preciso mais de revolta. Não uso mais chantagens. Apenas me torno... espástico, é assim que se diz? Espástico, sim. Incontrolavelmente me debato, jogando pernas, braços, pensamentos e afetos a torto e a direito, recolhendo o que quiserem me dar, mas nunca mendigando. Deixando o que quiserem ficar, mas nunca sendo otário. Me iludo, sim. Mas somente em relação a mim mesmo. Não se sinta capaz de enganar quem não engana a si mesmo... Entre alguns papéis, canetas, bebidas e mentiras, mais uma vez me abandono aos braços de alguma companhia passageira, na esperança de algum dia deixar de passar para morar na vida de alguém. Trocar o carro pela casa. Enquanto isso, dirijo.

domingo, 31 de julho de 2011

Dedicado ao Amanhecer

As pequenas várias e loucas doses de álcool percorrem meus vasos sangrentos, agredindo meu equilíbrio, bom senso, e euforia, enquanto vou andando e filosofando sobre merdas inúteis, agarrado a um alguém há pouco desconhecida... Em pouco, chega a casa, chego à casa, chego em casa... Oscilo entre um passo e outro, e entre Forfun e Adoniran, entre um beijo e e um cigarro, entre uma roupa e a nudez, entre a imobilidade e o movimento, entre o pensamento e o instinto, entre o prazer e...
Pela manhã, procuro minha cabeça, me visto com a dor desta, tomo uma dose de tontura e sento no sofá, desistindo do café e me contentando com ruminar as sensações da noite (in?)conclusa...
Volto a Adoniran... Joga a chave, meu bem... aqui fora tá ruim demais... Cheguei tarde, pertubei teu sono, amanhã eu não perturbo mais... Tão desolado quanto eu, talvez um pouco menos, um pouco mais, lembro que hoje é domingo, dia universal da depressão, e volto para a cama, tentando esquecer que vivo inutilmente, jogado a algo que nem mesmo imagino o que seja...

domingo, 24 de julho de 2011

Páginas de uma Carta Qualquer (1)

Pouco a pouco me afogo na casa vazia
A nossa cama, antes palco de tantas alegrias
Agora só comporta insônia e monotonia

Saudade já não consigo sentir
Na medida em que sei que nada do passado há por vir
Nada de repetições, nada de sentir

Me conformo, então com o que me espera:
Uma lenta morte, contudo, sincera.
Que me acolhe como uma mãe, uma amiga fraterna
Dedico a ela, à morte e à espera
Minhas rimas tristes, e tão etéreas

Morte física? Não, não tenho tal pretensão. Meu coração, esse sim agoniza, por não ter sentido, por ter virado uma fortaleza pétrea, de muralhas altas e pouco acessíveis, antes, depois e, talvez até, durante nós.

As boas lembranças, as lembranças ruins, as não-lembranças... Agora são espólios de uma guerra lutada lado a lado e que o tempo virou-nos um contra o outro...

Agora, às 3:17 da manhã, cometo um soneto e escrevo um suícidio, sentindo um whisky e bebendo a dor.

domingo, 3 de julho de 2011

Poesia de um desconhecido

Escrevo poesias apoiado sobre teu ventre
A sua limpa respiração, teu abdômen em movimentos cíclicos, me servem como mesa
Tuas curvas como pautas, teus ruídos como trilha
Tua imagem como inspiração, para nossa história que não há

Seu rosto plácido, que há tão pouco não conhecia, me emociona
Por saber que não temos nada
Ou que talvez tivéssemos tudo
Sem conhecermos nada de nada de nada de nada...

Agora deixo a cama vazia
Uma toalha na pia
Uma lembrança fria
E a cama aquecida

Daquele que te amou sem nunca te amar, lembranças.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Esse texto não foi feito por um 'personagem'. Sou eu mesmo, Diego, escrevendo.

Meia noite e 10 de uma segunda feira qualquer de férias. Deitado em minha rede uma brisa fria, úmida, com jeito de maresia na madrugada, com o notebook apoiado em mim, como unica fonte de calor e luz... Algumas musicas pra relaxar (de Charlie Brown Jr a Jimmi Hendrix, de Red Hot Chili Peppers a Engenheiros do Hawaii...) e um pouco de imaginação aflorando. Tantas coisas, tantas histórias na cabeça, tão pouco podendo ser dito...

Uma fome carnal um pouco saciada, uma pequena revolta com os idealismos exagerados, uma dose de ateísmo, uma pitada de bom humor e alguns pontos de solidão. Litros e litros de vontades, alguns pedaços de criatividade, paciência, preguiça e amor. Isso preenhce minha madrugada. Minha vida. Mantenho-me são, ante o caos do mundo. Ando acompanhado de várias pessoas, porque a verdade nua e crua é que você nasce e morre só. Ninguém lhe acompanha. Mas ninguém vive só. "Pois agora lá fora, todo mundo é uma ilha..." Nesse dia, o mundo terá acabado.

"Não busco a perfeição em ninguém pois não quero que busquem isso em mim..." Jamais tente ser perfeito. Jamais tente encontrar a pessoa perfeita. Foi e é assim que mantive e mantenho minha sanidade. Minha alegria. Talvez ser feliz seja só a diferença entre querer mais e saber quando aproveitar o bastante. Não precisamos morrer pelo dinheiro. Nem viver por ele. Mas não devemos viver sem ele. Não precisamos de ganância. De propaganda. De ideologias. Precisamos de consciênscia, alimento e vida. Mais que isso, vai de cada pessoa.

"Todos vivemos dias incríveis, que não passam de ilusão"... é verdade, todo mundo diz "bons tempos", esquecendo o quanto reclamavam nesses tempos. O quanto sofreram na época. Menos, pode ser verdade, do que na época em que diz "bons tempos, aqueles...". Porém, ainda assim, falam como se idealizassem tudo... é como falei, não gosto de idealismos, ideologias...

"Eu não posso fazer mal a ninguém, a não ser a mim mesmo..." Belíssimo, Cazuza. Belíssimo, Cássia Eller. Belíssimo, o poema-canção-rock-blues... Ainda na mesma música "Nunca viram ninguém triste? Por que não me deixam em paz? As guerras são todas tão tristes, e não tem nada de mais..." Pensem!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Hipsters...

Eles se dizem bipolares, anti-sociais e nerds. Não passam de uns filhinhos de papai, gastando dinheiro que não é seu em roupas xadrez, piercings, óculos sem grau (ou sem lentes) e desperdiçando seu tempo numa pseudo-depressão, uma fossa mal inventada, reclamando das coisas de hoje e dizendo que antes era melhor. Assistem e idolatram os artistas-enlatados, declaram seu amor em musicas pueris, sem jamais sair dessas. Não precisa dizer que antes era melhor, basta dizer que agora não está bom. E que precisa mudar. E mudem vocês tbm. Pq eu, já estou olhando pra frente. E é pra lá que vou (vamos?)

domingo, 22 de maio de 2011

Geração Ruim.

Estou farto de ser de uma geração tão rotulada. Gosto que falem de mim, mas isso não está nem em questão. Não me chateia que me xinguem, aprendi a ver o lado positivo de ser o quatro olhos, na pior turma.
O que eu não tolero é pagar pelos erros dos outros. Se sou de uma geração ruim, foram eles que me educaram. Se sempre tive tudo e não sei lutar pelos meus objetivos, foi porque eles sempre me deram tudo e nada pedem em troca. Se afinal luto demais e reivindico, sou um anarquista revoltado, filho ressentido do Golpe Militar, quando na verdade nem do regime militar me lembro, apenas quero ter um futuro.
Sou da geração ruim, mas com mais formação que este país alguma vez teve. Discuto fenômenos de transferência de Energia, sei a importância de uma enzima no processo digestivo, inventei o Facebook (que vocês, que reclamam da 'nova geração' tanto gostam), e chego a compreender o papel da Grafite numa central de Energia Nuclear. No entanto, isso não é suficiente, sou avaliado todos os dias, porque sou da geração ruim, aquela que vocês educaram.
Texto adaptado do http://zickrs.blogspot.com/2011/03/geracao-rasca.html

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Piazzoleando - Frederico García Lorca


Perdi-me muitas vezes pelo mar
Com o ouvido cheio de flores recem-cortadas
Com a lingua, cheia de amor e de agonia
 
Muitas vezes me perdi pelo mar
Como me perco no coração de alguns meninos

Porque as rosas buscam em frente
Uma dura paisagem de osso
E as mão do homem não tem mais sentido
Que imitar as raízes sobre a terra
Como me perco no coração de alguns meninos

Perdi-me muitas vezes pelo mar
Ignorante da água
Vou buscando uma morte de luz que me consuma

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Visualize (1)

(Música: Steve Ray Vaughan - Little Wing)
Era madrugada. Novamente. Enquanto a luz neon do motel era filtrada pela persiana barata. Enquanto o silêncio se impunha, doce como perfume barato, pesado como chumbo, frio como gelo. Enquanto o quarto fervia num calor modorrento, inquietante. Uma daquelas abafadas noites de outubro, tão comuns nessa prodigiosa cidade da luz. Ao som de Stevie Ray, Jimmi Hendrix e John Frusciante, procurava. Procurava assim como quem se perde: Sem saber, sem notar, distraído por algo que lhe fugia sempre que estava prestes a descobrir. Como se a procura em si fosse mais importante que o achado. Como devemos ser.

Mas antes de tudo (e durante, e depois, e sempre) sentia a angústia de não saber exatamente o que o angustiava. Ou o que procurava. Opinião minha, acho que procurava 'não procurar'. Sim, é complicado, mas exemplifico: dou-lhe uma ordem: Não pense em nada. 'O não-pensar já é pensar em dizer', já diria Amarante, do Los Hermanos. Entende? O simples fato de 'não-procurar' já era a busca em si.